27 de novembro de 2009

TRES TIPOS DE HABITAÇÃO





Recentemente preguei numa cidade litorânea. De manhã, fui caminhar pela praça e vi três casas contíguas. Uma delas tinha cerca de três séculos. Fora tombada e estava em péssimo estado de conservação. Velha, carcomida, abandonada, ninguém mais entrava nela. Sustentava-se por escoras. Relíquia de um passado glorioso, percebia-se pelo estilo, que no seu tempo fora muito bonita.
A segunda era da mesma época, mas estava totalmente renovada e habitada. Tinham reformado, colocado novas vigas, refeito o teto, pintado como nos anos 1.700. Paredes grossas, alicerces fortes, madeira, continuava antiga, habitável e bonita. Desafiara o tempo porque fora reestruturada, bem cuidada e refeita.
A terceira era novinha em folha. Não tinha mais de cinco anos. Estilo moderno, paredes leves, arejada, cheia de vidros fumê, um espetáculo de se ver! Observei o quadro a um dos senhores que ali fazia anotações. Era um arquiteto. Pedi sua opinião. Ele não se fez de rogado. Falou da fragilidade da casa novíssima que provavelmente duraria menos de cinqüenta anos. O material, principalmente os vidros era visivelmente inferior às casas antigas. Fora feita para durar pouco. Exigiria reparos constantes, sobretudo em cidade costeira. As antigas tinham sido feitas para durar séculos, como são hoje alguns templos e casas da Europa. O estilo funcional e bonito da casa nova passaria em poucos anos. Quem a fez sabia da fragilidade do seu projeto. Mas dava maior lucro para quem a ergueu.
Pensei nas famílias e nas igrejas de hoje...O conteúdo de algumas é para gerações, coisa de muitos séculos, porque são sólidas e não balançam ao vento das paixões, dos sentimentos, dos ohs, ahs, áis e úis, nem das doutrinas da hora, sobre novas famílias e novas igrejas, como profetiza Paulo a Timóteo (2 Tm 4,1-5). Levadas pelo prurido de modernidade, de um novo relacionamento, ou de uma nova bênção ou revelação muitas pessoas buscam o novo, porque não acreditam em reformar e melhorar o antigo. Canonizam o novo só porque é novo e condenam o velho, porque já deu o que tinha que dar. Mas, não poucas vezes, o novo também não tem o que dar, porque mais tira do que dá. É muito grande o número de quem já está na terceira ou quarta família ou na terceira ou quarta igreja.
Famílias novas nem sempre são famílias sólidas, da mesma forma que famílias antigas nem sempre são famílias renovadas e refeitas. Igrejas novas e cheias nem sempre são igrejas sólidas. Pregadores da fé nem sempre são pregadores de fé , da mesma forma que pregadores de fé, nem sempre pregam a fé como ensina a sua igreja.
Há igrejas e famílias abandonadas, igrejas e famílias renovadas e igrejas e famílias novinhas em folha, como as casas que vi naquela cidade litorânea. Em que tipo de família, casa ou igreja você gostaria de viver? Sua resposta determinará o tipo de crente que você se tornou!

Autor: Pe.Zezinho,scj

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